sábado, 6 de setembro de 2008

Procura-se um amigo.



Em uma aula de redação, no ano passado, a turma analisava alguns textos de diversos tipos, até que a professora leu, em voz alta, algo que deixou todos os alunos com lágrimas nos olhos. Não sei se chega a ser tão emocionante ou se foi pra mim por me fazer lembrar dos poucos amigos que tenho, os muitos que não tive e grandes amizades que perdi...
Ah! É um texto de um autor desconhecido.
Se eu quero dizer alguma coisa com isso, vou descobrir depois. Até porque acho que já está um pouco tarde pra um pedido desse tipo.
Passei esse texto pra cá tal qual foi escrito, com pontuações "estranhas" e tudo.


Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, da madrugada, de pássaros, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vazio que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos que se comova quendo chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas tristes e simples, de orvalhos, de grandes chuvas e de recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não enlouquecer, para contar o que se viu de triste e belo durante o dia, dos anseios e das realizações dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados; de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo pra se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que bata nos ombros sorrindo e chorando, mas que me chame de amigo, para ter-se consciência de que ainda se vive.

Um comentário:

Froilam de Oliveira disse...

Obrigado pelo elogio. Podes postar "amores" em teu blog.
Abç