sábado, 23 de agosto de 2008

Sobre saber de tudo...



"Quando achamos a matemática e a física teórica muito difíceis, voltamo-nos para o misticismo." - Stephen Hawking.

Ainda no começo do ano, surgiu uma discussão no fórum da comunidade "Engenharia Química UFSM 2008", daquelas de "saltar faísca".
Falávamos sobre assuntos diversos, até que a língua portuguesa entrou na conversa. Pois bem...
Depois de muita conversa, um colega que entrou no papo meio atrasado, entrou de sola, dizendo que eu subestimava a importância do estudo do nosso idioma. Quem me conhece, sabe o absurdo que foi dito!
Obviamente não poderia ficar quieto quando alguém fala que eu desprezo justamente uma das minhas maiores paixões. Como era de se esperar, isso rendeu ainda mais discussão.
Quando me foi dito aquilo, disse que deveríamos estudar gramática na Engenharia, já que em qualquer área a linguagem estaria presente. Qualquer profissional deve dominar a língua portuguesa.
Alguns simplesmente me chamaram de louco, outros disseram que entraram pra Engenharia justamente por ser uma negação e odiarem português. Afinal, o que se espera de um engenheiro que entrega relatórios ou divulga artigos científicos cheios de erros ortográfigos ou quando abre a boca envergonha qualquer um ao seu redor?
Outra vez, ouvindo o "Pretinho", fui obrigado a ouvir algumas baboseiras quanto à importância da matemática. Alguns dos apresentadores disseram que estavam no rádio justamente porque não tinham intimidade com os números (o que é normal). O problema veio quando um deles (não lembro bem qual) simplesmente disse que o que se aprende em matemática na escola é inútil, citando o exemplo da "fórmula de Bhaskara", a qual, segundo ele, não passava de uma coisa a mais pra ocupar espaço no cérebro.

Afinal, que mentalidade é essa? E o pior de tudo é ver que a maioria das pessoas no Brasil pensam assim. Fora daqui, não sei, mas estou notando que por aqui, quanto menos precisar saber, melhor.
Será mesmo que um engenheiro, matemático ou físico precisa somente saber resolver integrais e os jornalistas só precisam saber escrever?
É claro que nem tudo o que eu estudava nos tempos de escola era com muito ânimo. Biologia e geografia, por exemplo, nunca me animaram muito. A segunda até que sim, lá pela 5ª série. Mesmo assim, reconheço que estuda-las não serviu apenas para o PEIES. Tenho certeza que sem elas estaria me perguntando muita coisa que hoje eu já sei e não preciso ficar correndo atrás de respostas. Certamente me sentiria um ignorante.
Saber um pouco de tudo é fundamental pra qualquer pessoa. O dia-a-dia nos traz questões tão diversas que, sem um conheciemnto geral, ninguém conseguiria acompanhar. Não estou falando sobre decorar a tabela do Brasileirão ou ler o resumo de todas as novelas da Globo pra atualizar-se. O problema é que tem muita gente que age assim, buscando apenas saber o que lhe agrada, e o que mais agrada é inútil.
Foi até engraçado quando me chamaram de louco por querer gramática logo na engenharia, já que os cálculos é que mandam por lá. Mas agora imagine entregar os relatórios das aulas experimentais de física e química ou os trabalhos de introdução sem ter o mínimo conhecimento de português. Ainda que não seja ensinado, é cobrado uma boa apresentação com escrita correta nesses trabalhos, já que se espera que um aluno aprovado no vestibular pra uma Universidade federal saiba ao menos juntar algumas sílabas.
Essa é só uma das milhares de utilidades da língua em outras áreas do conhecimento. Alías, não sei se posso falar em utilidade. Uma boa linguagem é fundamental em qualquer circunstância, mesmo que seja só pra passar umas cantadas na Ballare. Imagina se a garota estuda letras ou jornalismo? Um matemático não iria ficar resolvendo problemas de álgebra pra sua "musa" no meio de uma danceteria lotada. Acho que ela não gostaria muito.

É difícil, e sinceramente acho que vai demorar muito tempo ainda para essa mania de ter preguiça de saber sair da cabeça das pessoas, mas quem pensa como eu sabe bem que saber um pouco de tudo é fundamental, mesmo que seja para um jornalista não ser logrado na hora de pagar a conta do supermercado ou um engenheiro não passar vergonha ao não conseguir nem dar uma ordem aos seus subordinados com um português decente.

Um comentário:

Froilam de Oliveira disse...

Daí, Diego!
Outro dia tentei lincar teu blog mas não consegui. Hoje utilizando o "ctrl C" e "ctrl V" fui feliz.
A Isis, minha filha, começou Nutrição na UNIFRA.Um abraço!