A situação fica cada vez mais complicada para a Amazônia, quando diversos órgãos lutam pela preservação da nossa floresta e, ao mesmo tempo, o governo brasileiro considera manter a mata perda de tempo e uma pedra no caminho do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Prevendo mudanças, tramita no senado um projeto de lei prevendo a exclusão de vastas áreas hoje consideradas de preservação ambiental.
Tal projeto foi apresentado pelo então senador Jonas Pinheiro, e prevê redução para 50% da área original da floresta. Grandes áreas de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão estão entre as excluídas.
É claro que uma decisão tão inconsequente só poderia partir de governantes daquela região, desde os senadores que votam aos governadores, que apóiam, a favor do "crescimento" do seu estado. Agora eu me pergunto: eles estão preocupados com o crescimento do estado ou das suas áreas de plantio e criação de gado em seus imensos latifúndios particulares?
E a palhaçada não acaba aí. A área preservada de mata em uma propriedade pode ser reduzida a até 30% da original, caso o proprietário siga algumas normas, as quais obviamente não serão fiscalizadas.
Estamos vendo a Amazônia sendo "tomada" de nós por outras nações, que justificam tal ato com a falta de cuidado do governo brasileiro em relação à floresta. Que direito temos de reclamar? Corremos no sentido contrário, buscando um crescimento sem planejamento algum, largado nas mãos de latifundiários que só entendem das suas vacas a responsabilidade de desenvolver um estado e derrubando a mata sem praticamente nenhuma fiscalização, através, principalmente, de queimadas.
Que controle teremos sobre isso?
Veremos metade da nossa floresta desaparecer da noite para o dia com o consentimento de quem deveria defende-la a qualquer custo! Isso no começo, já que, depois de ter o dedo, os fazendeiros buscarão o braço, derrubando mais alguns quilômetros quadrados de árvores nativas.
E quem disse que a agropecuária vai trazer o crescimento que precisamos? Ao que me consta, produção primária não cabe mais a um país que busca um espaço entre as potências mundiais! Enquanto poderíamos investir em indústrias, vamos investir em derrubada da nossa floresta, substituindo-a por soja e pasto. Quem sabe a gente lucre alguns milhões com a venda da madeira, os políticos dividam entre si e a coisa fique por aí mesmo?!
É realmente tentador para aquela quadrilha.
E as árvores em extinção? E os animais? Simplesmente vamos deixar que toda a fauna que habita 50% da Amazônia morra queimada, de fome ou caçada pelos fazendeiros?
Quando as coisas parecem estar tomando um rumo certo, sinto como se meu país estivesse sendo governado por um grupo de pré-adolescentes.
Claro que vamos ouvir a conversa: "foram feitas pesquisas, há consentimento de estudiosos a respeito e blá blá blá..."
Mais uma piada.
Nunca um ato dessa amplitude ficará sem graves consequências! Animais morrerão, o clima sofrerá ainda mais alterações. O equilíbrio será mais uma vez (muito) afetado.
Enquanto isso, cruzamos nossos braços e assistimos ao brilhante espetáculo apresentado no nosso circo dos horrores e da ignorância. Que poder tem o Juquinha do interior do Rio Grande do Sul frente a tanta gente poderosa e ambiciosa?
Desenvolvimento, SIM! (mas NÃO a qualquer custo!)
Movimento "Meia Amazônia Não".
Qualquer pessoa pode ajudar na luta contra esse absurdo. O movimento mais forte em relação a isso chama-se "Meia Amazônia Não", e possui uma página na internet, onde todos podemos assinar um manifesto contra a redução da Amazônia legal, além de enviar para outras pessoas a idéia, levando adiante essa corrente.
Ao leitor do Integrais & Cafeína, faço meu apelo. Assina! É muito rápido e fácil. Basta ter em mãos o teu RG.
O site do movimento é http://www.meiaamazonianao.org.br/

Diego Neves.




